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3 de agosto de 2026

16 locais a visitar entre Nápoles e Lamezia Terme

Viagem de carro alugado pela Itália autêntica

Nápoles é uma cidade cheia de contrastes e as opiniões sobre ela estão igualmente divididas. Ou te apaixonas irremediavelmente pelo seu charme caótico, ou detestas os napolitanos, que são tão crus e sem rodeios. A verdade é que Nápoles tem um centro histórico maravilhoso. Podes apreciar a arquitetura histórica, a arte e as escavações da Antiguidade romana e grega e, claro, a comida deliciosa. Esplanadas banhadas pelo sol têm vista para a Baía de Nápoles, com o ameaçador Vesúvio ao fundo. Aí está, mais uma vez, aquele contraste que tanto caracteriza Nápoles. Visita o Castel Nuovo, de origem medieval, as catacumbas de São Genaro, admira as estações de metro que são verdadeiras obras de arte e passeia pelo Lungomare.

O porto de Nápoles, com o Vesúvio ao fundo.
O porto de Nápoles, com o Vesúvio ao fundo. (Foto: https://unsplash.com/@baerhard)

Nápoles é um excelente ponto de partida para uma viagem de carro, porque tem o maior aeroporto do sul de Itália, com uma vasta oferta de carros de aluguer. Para visitar a própria cidade, não precisas de alugar um carro, mas para ires a pontos turísticos nos arredores é bom teres o teu próprio meio de transporte. Também na cidade há muitas opções para alugar um carro, por exemplo, na estação ferroviária Napoli Centrale.

A seguir, descrevemos um circuito pelas regiões da Campânia, Basilicata e Calábria. Esta zona é uma das regiões menos conhecidas, mais bonitas e mais autênticas de Itália. Na verdade, deves alugar um carro o mais depressa possível para lá ires, antes que as multidões de turistas a descubram. O circuito passa, entre outros locais, por Lamezio Terme, que tem um aeroporto internacional. Por isso, também podes começar a tua viagem de carro por lá.

1. De Caserta a Benevento

De certeza que já ouviste falar da Via Appia, uma das estradas mais importantes do Império Romano, que ligava Roma a Brindisi. Essa estrada passava mesmo a norte de Nápoles, pelo que hoje é Caserta. Lá podes admirar o antigo palácio real, a Reggia di Caserta, que não fica atrás do palácio de Versalhes.

O palácio de Caserta está rodeado por jardins enormes com lagos e estátuas.
O palácio de Caserta está rodeado por jardins enormes com lagos e estátuas. (Foto: https://unsplash.com/@panteo)

A Strada Statale 7 segue o traçado original da Via Appia até Benevento, a cerca de sessenta quilómetros a nordeste de Nápoles. Na própria cidade, a moderna SS7 passa pelo lado sul, mas ainda dá para ver uma parte da estrada original: a Ponte Leproso, sobre o rio Sabato. No lado norte de Benevento, encontra-se um dos arcos de triunfo romanos mais bem preservados. Este Arco de Trajano foi construído em honra do imperador Trajano, que mandou construir uma estrada mais curta até Brindisi. O teatro romano da cidade ainda é usado regularmente para espetáculos e festivais. De data posterior, a Chiesa Santa Sofia, do século VIII, é uma réplica em menor escala da Hagia Sophia, em Istambul. A igreja está decorada com belos afrescos.

2. Lagos de Monticchio / Venosa

De Benevento, são cerca de duas horas de carro alugado até Venosa. Pouco antes de chegares àquela localidade, faz um desvio pelos dois lagos vulcânicos de Monticchio, no meio de uma zona selvagem e intocada. Podes explorar o lago mais pequeno (Lago Piccolo) de gaivota, já que o lago maior (Lago Grande) é de difícil acesso. Das ciclovias e trilhos pedestres da região, tens uma bela vista sobre ele, assim como sobre a abadia beneditina de San Michele, construída junto à antiga parede da cratera. Podes visitar não só a abadia e a capela esculpida na rocha, mas também o museu de história natural que lá se encontra.

A abadia de San Michele reflete-se nas águas do Lago Piccolo di Monticchio.
A abadia de San Michele reflete-se nas águas do Lago Piccolo di Monticchio. (Foto: https://unsplash.com/@sterlinglanier)

A pequena e acolhedora cidade de Venosa é uma paragem atraente nesta viagem de carro pelo sul de Itália. A praquinha acolhedora com esplanadas no centro é dominada pelo Castello Aragonese, do século XV, que alberga o Museu Arqueológico. Esse museu tem, entre outras coisas, achados de animais e objetos do quotidiano com idades entre os 300 000 e os 600 000 anos, encontrados nas proximidades de Venosa. A nordeste da cidadezinha, podes ver as ruínas da Venusia romana. O traçado das ruas é bem visível e, sobre os edifícios que ali existiam, há explicações claras em placas com plantas.

Se gostas de afrescos coloridos, não deixes de fazer uma paragem em Ripacandida a caminho de Venosa, que por si só já é uma bonita aldeia antiga. A joia dessa aldeia é o Santuário de São Donato. Por fora, é uma igreja românica simples, mas o teto abobadado no interior está decorado com afrescos deslumbrantes do século XVI.

3. Os palmenti de Pietragalla

Palmenti, perto da aldeia de Pietragalla, na região da Basilicata.
Palmenti, perto da aldeia de Pietragalla, na região da Basilicata.

De certeza que já ouviste falar dos chamados «sassi» (casas-cavernas) em Matera. Essa cidadezinha está agora a ser invadida por turistas. Muito menos conhecidos são os «palmenti» em Pietragalla, a cinquenta quilómetros de carro a sul de Venosa. As pequenas casas em forma de gruta, cobertas de relva, parecem mesmo abrigos para hobbits. Mas nunca foram habitadas; eram usadas para fazer vinho. No interior, cada palmento tem uma cuba para esmagar as uvas e uma cuba maior e mais funda para a fermentação. Encontras estas grutas de vinho no lado leste de Pietragalla, mesmo ao lado da SS169.

4. Piccolo Dolomiti Lucane

Pietrapertosa foi construída junto às rochas íngremes das Dolomiti Lucane.
Pietrapertosa foi construída junto às rochas íngremes das Dolomiti Lucane. (Foto: https://unsplash.com/@luca1898_)

Até agora, as diferenças de altitude nesta viagem de carro não têm sido muito grandes, mas isso vai mudar quando passares por Potenza a caminho das Piccolo Dolomiti Lucane. Estas montanhas sinuosas e íngremes têm esse nome porque se assemelham às Dolomitas, no norte de Itália. A primeira parte do percurso, pela SS407, ainda não tem muitas curvas, mas assim que virares para Castelmezzano, a coisa muda. Podes estacionar o teu carro alugado num parque de estacionamento pago, mesmo à saída da aldeia, ao longo da SP13. As casas em tons pastel parecem coladas às paredes rochosas íngremes e têm vista para um desfiladeiro profundo. Mesmo à saída da aldeia, há vias ferratas ao longo de paredes rochosas íngremes, intercaladas por pontes suspensas. Também podes voar como um anjo, através do teleférico Il Volo dell’Angelo, entre Castelmezzano e a aldeia do outro lado do desfiladeiro, Pietrapertosa.

Dá a sensação de que aquela aldeia fica a um passo de distância, mas ainda assim são uns dez quilómetros de carro por uma estrada com imensas curvas fechadas. Escusado será dizer que a vista pelo caminho é fantástica. É bom se puderes revezar-te ao volante. Por isso, lembra-te de marcar um condutor extra quando reservares o teu carro de aluguer. Pietrapertosa fica a 1088 metros de altitude, o que faz dela a aldeia mais alta da Basilicata. O nome significa «pedra perfurada» e é uma referência à sua localização espetacular, rodeada por rochas escarpadas. Também aqui tens de estacionar o carro alugado fora da aldeia num parque de estacionamento pago. Certifica-te de que tens algumas moedas de euro contigo, porque, embora os parquímetros também estejam equipados para pagamentos com cartão de crédito, essa função nem sempre funciona. Na aldeia, a subida até ao Castello Normanno-Svevo é bastante íngreme, mas serás recompensado com a vista mais bonita.

Se tiveres tempo, não deixes de passar uma noite num destes dois vilarejos, porque à noite as encostas das montanhas ficam lindamente iluminadas. Queres seguir mais para leste a partir daqui, para locais como Gravina in Puglia, Matera ou Bari, junto ao mar Adriático? Então recomendamos que leias o nosso blogue sobre os 11 destinos de viagem mais bonitos do sul de Itália, que se centra mais na região da Apúlia.

5. A cidade fantasma de Craco e os Calanchi Lucani

Volta para a SS407 e segue as indicações para Metaponto. Passados uns cinquenta quilómetros, vira para Pisticci e segue depois em direção a Craco Peschiera. Perto desta Craco moderna fica a aldeia que foi abandonada nos anos 60 e 70, depois de um deslizamento de terra. Só se chega a essa aldeia fantasma de carro alugado. Quando a vês a surgir à tua frente enquanto subes, percebes porque é que este foi o cenário de muitos filmes, incluindo o filme do James Bond «Quantum of Solace». Hoje em dia, Craco Vecchia apresenta-se como uma «cidade que ficou presa no tempo». O Museo Emozionale, no antigo mosteiro, mostra a história da aldeia e, do telhado, tens uma excelente vista para as ruínas.

As formações rochosas únicas entre as aldeias de Pisticci e Aliano, na região italiana da Basilicata.
As formações rochosas únicas entre as aldeias de Pisticci e Aliano, na região italiana da Basilicata.

Sai de Craco em direção ao sul e depois segue pela SS598 para oeste. Aí vais encontrar as badlands, um deserto erodido com formas muito peculiares. As fendas e ravinas (calanchi) foram criadas pela água da chuva que escorre.

6. Roseto Capo Spulico

A «Bota da Itália» está rodeada por mares e, nesta viagem de carro, ainda não visitaste nenhum. Para mudar isso, segue em direção a Policoro e, depois, ao longo da costa do Mar Jónico até Roseto Capo Spulico. Ao fazê-lo, vais atravessar a fronteira entre a Basilicata e a Calábria. O nome da localidade remete para o cultivo de rosas na época em que a poderosa cidade grega de Sibaride se situava aqui. Os habitantes eram conhecidos pelo seu estilo de vida decadente e, segundo a tradição, as senhoras abastadas mandavam encher os seus colchões com pétalas de rosa.

O castelo de Roseto Capo Spulico fica no topo de uma rocha, mesmo junto à praia.
O castelo de Roseto Capo Spulico fica no topo de uma rocha, mesmo junto à praia.

Ao lado da estrada costeira, um castelo no topo de uma rocha, mesmo à beira-mar, chama a atenção. Foi construído no século XIII pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico II. É uma construção robusta e as enormes salas estão decoradas com lanças ornamentais e lustres. Das janelas do castelo tens uma vista linda para o mar e para a praia mesmo ao pé do rochedo. Essa praia é bastante pedregosa e tem um declive acentuado, mas com o Castello Federiciano como pano de fundo é um lugar mágico. Dentro do castelo há um restaurante e também podes apreciar a vista a partir da esplanada exterior. Não é barato, mas é muito romântico passar a noite na suite no último andar do castelo.

7. Parque Nacional do Pollino

A oeste de Roseto fica o maior parque nacional de Itália e uma das últimas grandes áreas selvagens da Europa. O Parco Nacional do Pollino abrange nada menos que quase dois mil quilómetros quadrados e tem picos com mais de dois mil metros de altura. É notavelmente verde, algo que talvez não esperasses no extremo sul de Itália. Além de uma paisagem deslumbrante, vais encontrar, espalhadas pela região, aldeias autênticas e castelos antigos. Há uma enorme variedade de percursos e os vários centros de visitantes têm mapas detalhados para te ajudar a orientares-te. Considera o percurso que seguimos apenas como um exemplo.

O desfiladeiro profundo do rio Raganello, no Parque Nacional do Pollino.
O desfiladeiro profundo do rio Raganello, no Parque Nacional do Pollino.

De Roseta, pela estrada costeira SS106 e pela SP263, chegas ao vilarejo albanês de Civita em menos de uma hora. Albaneses em Itália? Sim, aqui vivem descendentes de pessoas que fugiram da Albânia no século XV, quando os otomanos conquistaram aquele país. Até aos dias de hoje, a cultura albanesa está bem presente, como se vê na fachada das chamadas casas Kodra. Estas parecem um rosto e foram imortalizadas pelo artista albanês Ibrahim Kodra. Civita fica no alto, por cima do desfiladeiro Gole del Raganello. As majestosas paredes íngremes de calcário abrigam uma rica flora e fauna, desde raposas e martas até águias-reais. Mesmo à saída da aldeia, o desfiladeiro é atravessado pela Ponte del Diavolo (Ponte do Diabo). O nome deve-se à lenda de que a ponte foi construída pelo diabo em troca da vida da primeira alma que a atravessasse. O homem que fez o pacto com o diabo não enviou um ser humano, mas sim uma ovelha.

A aldeia de Morano Calabro é uma verdadeira pérola: construída nas encostas do Monte Pollino, tem ela própria a forma de uma montanha. Por isso, vais ter de subir bastante antes de chegares ao miradouro Porta Ferrante. Isso, se conseguires encontrá-lo, porque é fácil perderes-te neste labirinto de ruas estreitas, escadas íngremes e portões apertados. Também a partir do antigo castelo normando tens uma vista deslumbrante sobre os telhados vermelhos da aldeia e dos arredores.

Ao conduzir um carro alugado pelo Parque Nacional do Pollino, vais desfrutar de vistas deslumbrantes.
Ao conduzir um carro alugado pelo Parque Nacional do Pollino, vais desfrutar de vistas deslumbrantes. (Foto: https://unsplash.com/@francesco_liotti)

Rotonda é a principal porta de entrada para o parque nacional. Mesmo à saída da antiga aldeia fica o Ecomuseu, que oferece informações detalhadas sobre a flora e a fauna, mas também sobre os diferentes grupos étnicos que aqui vivem. A partir de Rotonda, uma estrada estreita e sinuosa atravessa os bosques até ao miradouro Belvedere del Malvento e ao Colle d’Impiso (1554 m). Este é o ponto de partida para caminhadas de montanha até cumes mais altos, como o Monte Pollino (2248 metros) e a Serra del Prete (2181 metros).

O Parque Nacional do Pollino é um paraíso para os amantes da natureza e também dá para praticar muitas atividades. Além de caminhadas e passeios de bicicleta de montanha, podes praticar parapente, alpinismo e rafting em águas bravas. A partir da linda aldeia de Viggianello, são organizadas as chamadas excursões de «aquatrekking». Trata-se de uma caminhada em que se sobe contra a corrente de rios ou ribeiros, alternando entre atravessar a água a pé e caminhar por trilhos.

O verdejante Parque Nacional do Pollino é atravessado pela A2, que aqui passa por cima do rio Lao.
O verdejante Parque Nacional do Pollino é atravessado pela A2, que aqui passa por cima do rio Lao. (Foto: https://unsplash.com/@feiffert)

Os arredores da aldeia de Mormanno também são lindos e, na verdade, nem te esperas que a Autostrada del Mediterraneo (A2 para Reggio Calabria) passe mesmo ao lado. No entanto, é isso mesmo que acontece e, por essa estrada, podes chegar rapidamente ao próximo destino.

8. Cosenza

Se vieres pela A2, Cosenza parece uma cidade moderna, que não vale a pena visitar. Mas espera até chegares ao centro histórico, numa colina na confluência de dois ribeiros, o Busento e o Crati. Com um pouco de sorte, consegues estacionar logo a seguir à ponte sobre o Busento; caso contrário, podes deixar o carro alugado no grande parque de estacionamento junto ao Crati, um pouco mais à frente. O escritor inglês George Gissing achava que a palavra «pitoresco» não era suficiente para descrever esta cidadezinha. No início do século passado, escreveu: «a cada passo, desde o início da rua principal, no sopé da colina, até ao austero castelo medieval que coroa o seu cume, ficas maravilhado e admirado.» Curiosamente, a parte mais antiga da cidade (ainda) não é uma Zona de Tráfego Limitado (ZTL), mas a zona à volta da principal rua comercial na parte mais recente já é. Essa rua comercial está repleta de obras de arte modernas e, por isso, é um museu ao ar livre.

Cosenza é uma cidade antiga situada na confluência de dois pequenos rios na Calábria.
Cosenza é uma cidade antiga situada na confluência de dois pequenos rios na Calábria. (Foto: https://unsplash.com/@saradarcaj)

9. Parque Nacional da Sila

De Cosenza, podes chegar a Lamezia Terme pela A2 em cerca de uma hora, mas assim perdes o belíssimo Parque Nacional da Sila, que fica a leste dessa autoestrada. Tal como no Pollino, quase não há transportes públicos que passem pelo parque, por isso alugar um carro é a melhor opção. O nome deriva da palavra latina «Silva», que significa «floresta». A região é, de facto, densamente arborizada e é conhecida pelas árvores gigantescas com mais de 300 anos na Riserva Giganti, perto de Camigliatello Silano. No inverno, essa localidade transforma-se numa estância de esqui. Os três lagos artificiais do parque também são populares: perto do centro de visitantes em Cupone fica o Lago Cecita; em Lorico, podes alugar canoas para passear pelo maior lago, o Lago Arvo; e o lago artificial mais antigo é o Lago Ampollino.

A Valli Cupe é um desfiladeiro profundo no Parque Nacional da Sila, na Calábria.
A Valli Cupe é um desfiladeiro profundo no Parque Nacional da Sila, na Calábria.

Espalhadas por todo o parque, vês placas indicadoras para vários percursos pedestres, desde os mais fáceis até aos bastante exigentes. Por exemplo, o passeio até à cascata e às corredeiras do ribeiro Crocchio é muito fácil, mas a caminhada pelas ravinas das Valli Cupe, a sul de Sersale, exige um pouco mais de esforço. Depois de descer até ao fundo, podes caminhar cerca de quatrocentos metros para dentro do desfiladeiro.

10. Lamezia Terme

A maioria das pessoas só conhece Lamezia Terme pelo aeroporto, a porta de entrada para as praias da costa da Calábria. Embora a cidade esteja situada num cenário deslumbrante, que só podes explorar de carro alugado, a própria Lamezia não tem muito para oferecer. Com uma exceção: os banhos termais, conhecidos desde a época romana pelos seus efeitos curativos. E um mergulho na fonte termal de Terme di Caronte ainda é de graça! Mas o teor de enxofre é alto, o que faz com que, depois do banho, fiques a cheirar a ovo podre…

11. Tropea / Capo Vaticano

A cidade de Tropea ergue-se bem acima da praia, uma vista única!
A cidade de Tropea ergue-se bem acima da praia, uma imagem única! (Foto: https://unsplash.com/@ohlrogge)

A costa a sudoeste de Lamezia Terme, entre Pizzo e Nicotera, é carinhosamente chamada pelos italianos de Costa degli Dei, ou seja, a Costa dos Deuses. E percebes isso assim que lá chegas: paisagens incrivelmente bonitas, praias de areia fina e águas azuis cristalinas. De todas as estâncias balneares desta costa, Tropea é a deusa indiscutível. O centro histórico bem preservado da cidade fica num promontório rochoso, bem acima da praia de areia branca. Ao pôr-do-sol, a água turquesa cristalina transforma-se em tons intensos de roxo.

Faz uma bela viagem com o teu carro alugado pela estrada costeira SP22 em direção ao sudoeste. Na pequena vila de San Nicolò, segue as indicações para Capo Vaticano. A partir deste cabo, no canto sudoeste do Promontório de Tropea, tens uma vista de cortar a respiração sobre o mar e a ilha vulcânica de Stromboli. Num dia bem claro, até consegues ver a Sicília.

12. As Grutas de Zungri

As casas-cavernas medievais de Zungri, perto de Tropea.
As casas-cavernas medievais de Zungri, perto de Tropea.

A menos de vinte quilómetros de carro a leste de Tropea, vais encontrar uma joia escondida da Calábria, onde vais sentir-te transportado de volta no tempo. Em Zungri, os monges retiraram-se e surgiu uma pequena aldeia com cerca de cem casas-cavernas. Uma longa escadaria, esculpida em pedra natural, passa pelas casinhas de um ou dois quartos. As casas têm janelas, arcos, aberturas de ventilação para o fumo e inúmeras nichos esculpidos nas paredes interiores. As casas na «città di pietra» (cidade de pedra) estão agrupadas e ligadas por uma rede de ruelas estreitas e escadarias. Existe também um sistema engenhoso de canais e reservatórios de água. As paredes brancas naturais fundem-se perfeitamente com o ambiente e a vista para a paisagem circundante é deslumbrante.

13. Scalea e Maratea

Se, depois de visitares Tropea, ainda te apetecer mais sol, mar e praia, podes fazer uma paragem em Scalea Marina ou Maratea no caminho de volta para Nápoles. Scalea tem uma praia de areia imensa, tanto em comprimento como em largura, e ao longo dela há imensos hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos totalmente voltados para o turismo. No verão, fica superlotada e grande parte da praia só é acessível mediante pagamento. Podes alugar um caiaque para navegar até uma ou várias das quatro grutas marinhas da região. O centro histórico de Scalea fica numa colina e é um labirinto complexo de escadas e ruelas. Destacam-se os «suppuorti», pisos de madeira construídos por cima das ruelas.

Maratea tem um ambiente completamente diferente do de Scalea. A cidadezinha tem o ambiente de uma estância balnear de tempos longínquos. Não tem uma única praia extensa; podes escolher entre várias praias mais pequenas. Essas enseadas são delimitadas de ambos os lados por rochedos altos. Maratea também é conhecida como a cidade das 44 igrejas. Essas igrejas e capelas, grandes e pequenas, no centro histórico ficam lindamente iluminadas à noite. O facto de a cidade ser (ou ter sido) religiosa é ainda mais realçado pela enorme estátua de Cristo no topo do Monte San Biagio. De lá, tens uma vista panorâmica sobre a costa, especialmente bonita ao pôr-do-sol. Nos meses de verão, não podes estacionar perto da estátua, mas tens de deixar o carro alugado algumas centenas de metros mais abaixo.

14. Parque Nacional do Cilento

A costa rochosa e acidentada de Capo Palinuro.
A costa rochosa e escarpada de Capo Palinuro. (Foto: https://unsplash.com/@michaelmartinelli)

A norte de Maratea, vais pela SS18 bem junto ao Golfo de Policastro, um dos trechos mais bonitos da costa do Tirreno. Esta estrada não fica atrás da SS168, muito mais movimentada, ao longo da costa de Amalfi. Depois de Policastro Bussentino, entras no Parque Nacional do Cilento. Graças ao teu carro alugado, podes fazer passeios maravilhosos pelas estradas desta área natural protegida, mas também podes andar a cavalo, fazer caminhadas, andar de bicicleta ou dar um passeio de barco pelo lago de represa de Alento. Alguns dos pontos altos desta região são o belíssimo desfiladeiro Gole del Galore, perto de Felitto, a cascata Capelli di Venere (Cabelo de Anjo), mesmo à saída de Casaletto Spartano, e as grutas marinhas de Capo Palinuro.

15. Templos gregos de Paestum

O maior dos três templos de Paestum, em Itália.
O maior dos três templos de Paestum, em Itália. (Foto: https://unsplash.com/@ile80)

Antes de os romanos conquistarem o que hoje é a Itália, havia muitas colónias gregas (apoikia) ao longo da costa sul. Há cerca de 2500 anos, os gregos construíram templos numa colónia a que chamaram Poseidónia e que os romanos mais tarde rebatizaram de Paestum. Os três templos dóricos que lá se encontram são alguns dos vestígios mais bem preservados da Antiguidade grega. O templo mais antigo era dedicado a Hera, a mulher do deus supremo Zeus. Um segundo templo é dedicado a Atena, a deusa da sabedoria. Acredita-se que o maior templo tenha sido dedicado ao deus do mar, Poseidon, mas isso não é totalmente certo.

Nas imediações destes templos foram encontrados todo o tipo de objetos que estão em exposição no museu arqueológico de Paestum. A peça-chave é a Tomba del Tuffatore, um túmulo cujo interior está pintado com, entre outras coisas, a imagem de um homem a mergulhar na água. O que é muito especial é que as cores destas pinturas ainda estão muito vivas.

16. Costa de Amalfi

A estrada linda ao longo da Costa Amalfitana, a sul de Nápoles.
A estrada linda ao longo da Costa Amalfitana, a sul de Nápoles. (Foto: https://unsplash.com/@maddyjv)

E depois: o ponto alto de qualquer viagem por esta parte de Itália. Ou será que não? Para ser sincero, ficámos na dúvida se devíamos incluir a Costa Amalfitana nesta viagem de carro. Os cinquenta quilómetros de costa são incrivelmente bonitos e, por isso, fazem parte da lista de desejos de muita gente. Ao mesmo tempo, este percurso já atrai tantos turistas que até dá para questionar se ainda vale a pena. A verdade é que a autarquia local tomou medidas para limitar o número de carros.

Durante a Semana Santa, nos fins de semana de junho, julho e setembro e todos os dias em agosto, nos dias pares só podem circular carros (de aluguer) com matrículas que terminem num número par. Nos dias ímpares, só podem circular carros com matrículas que terminem num número ímpar. Esta restrição aplica-se das 10h00 às 18h00 na SS163 entre Positano e Vietri sul Mare. Na estrada entre Sorrento e Vico Equense (SS145), estas regras aplicam-se mesmo das 08h00 às 19h00.

Lembra-te de que – especialmente nos meses de verão – toda a gente disputa um lugar nesta estrada estreita e sinuosa: carros, scooters, autocarros de linha, bicicletas e até peões. Tudo isto torna o percurso desafiante, stressante e cansativo. Como condutor, tens de estar sempre atento. Além disso, nas horas de ponta, é difícil encontrar um lugar de estacionamento para o teu carro alugado.

O percurso atrai muitos turistas, porque passa por uma paisagem impressionante. Mas, durante esta viagem de carro pelo sul de Itália, já viste imensas coisas bonitas. Podes perguntar-te se queres mesmo acrescentar mais um percurso bonito, mas também stressante. Se, mesmo assim, quiseres ver a Costa Amalfitana, recomendamos que faças o percurso em abril ou maio, quando ainda não está tão movimentado.

Porquê alugar um carro em Nápoles

Muito mais tranquila do que a Costa Amalfitana: a estrada ao longo da costa, perto de Maratea.
Muito mais tranquila do que a Costa Amalfitana: a estrada ao longo da costa, perto de Maratea. (Foto: https://unsplash.com/@michaelmartinelli)

Com exceção da movimentada Costa Amalfitana, é essencial alugares um carro se quiseres explorar o sul de Itália. É verdade que existe uma boa rede ferroviária, mas os comboios só passam pelas principais cidades. E o que é mesmo divertido é decidires por ti próprio para onde queres ir. Por isso, aluga um carro, porque no sul de Itália há imensas estradas secundárias tranquilas, onde podes conduzir de forma descontraída. Mesmo nas estradas de montanha, o trânsito costuma ser escasso, por isso não precisas de te sentir com pressa.

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